Espiritualidade

OREMOS:

“Senhor Jesus neste dia eu vos clamo:
Vós que foste o Servo obediente às ordens do Pai dá-me a graça de servir a Ti e meus irmãos no dia de hoje.
Vós que me amaste a ponto de entregar a própria vida, ajuda-me a amar a Ti e meus irmãos com a mesma intensidade.
Vós que me abriste as portas do céu e me deste a graça da Felicidade Eterna auxilia-me a permanecer na alegria do Dom da Salvação.

Maria, esposa do Espírito Santo, mãe da Igreja e Nossa, por vossa poderosa intercessão peço-vos:
Fortalecei em mim a graça de Servir no Amor e na Alegria para que o carisma Tom de Amor contagie os corações.
Amém”.

 

SANTOS BALUARTES DE NOSSA COMUNIDADE:

Nós temos a graça de contar com quatro grandes baluartes que nos ensinam e ajudam a ser sinais do amor de Deus, como eles foram e ainda são. Os baluartes-sustentáculos da vocação Tom de Amor são: João Batista, Francisco de Assis, Filipe Néri e Teresinha do Menino Jesus. Assim, falar deles é para nós falar da nossa vocação, daquilo a que o Senhor nos chama, sem, no entanto, confundirmo-nos com a vocação Franciscana, ou da congregação de Teresinha (carmelita), por exemplo, pois temos um carisma particular na Igreja, uma vocação com características próprias que, por desígnio de Deus, bebe da vida e dos ensinamentos desses santos.

 

SÃO JOÃO BATISTA (Nascimento entre 4 e 1 a.C; Morte aprox. 27 d.C.)

Vida e missão

A missão de João Batista foi anunciada pelo anjo Gabriel: “Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus e irá adiante de Deus como espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar um povo bem disposto.” (Lc 1, 17.). João foi o servo encarregado de preparar o caminho do Senhor, pregando a necessidade e urgência da conversão. Passou a ser conhecido como "Batista" por causa da importância que dava ao batismo, um ritual de purificação corporal onde a imersão na água simbolizava a mudança de vida interior do batizado.

Cheio do Espírito Santo desde o seio materno, João Batista distinguia-se por sua santidade de vida. Dirigiu-se ao deserto, em despojamento e abandono para buscar a experiência de Deus. Sua pobreza e radicalidade (vida de jejum e penitência) não aniquilavam sua força, ao contrário despertava nele a lucidez, o vigor e a paz. Ensinava com o exemplo o que pregava com a voz.

Apesar da severidade com que tratava alguns (principalmente, os hipócritas) e do rigor com o qual vivia, ensina um meio seguro e simples para a conversão: viver a justiça e a santidade no estado em que se encontra. “Alguns cobradores de impostos também foram para ser batizados e perguntaram: O que devemos fazer? João respondeu: 'Não cobrem nada além da taxa estabelecida.' Alguns soldados também perguntaram: 'E nós?'. Ele respondeu: 'Não maltratem ninguém.'” (Lc 3, 12-14)

Sou a voz.”

Ao ser questionado sobre quem era pelos sacerdotes, João responde: “Eu sou uma voz gritando no deserto.” (Jo 1, 22-23). Ele se assume apenas como instrumento nas mãos de Deus. Não passa de simples voz que anuncia o Reino de Deus e chama à conversão. Ele ainda responde: “Eu não sou o Messias.” (Jo 1, 20). João soube exatamente o seu lugar no serviço de Deus; jamais a menor sombra de vaidade ou orgulho tomou conta do seu coração. Fez tudo o que lhe fora mandado por Deus, discretamente, sem ofuscar a passagem do Senhor. “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). João Batista é um exemplo exato de como deve ser quem quer servir ao Senhor: fazer tudo por Ele e para Ele, unicamente por amor a Jesus, fugindo diligentemente de tudo quanto possa alimentar a menor secreta vaidade.

 

SÃO FRANCISCO DE ASSIS (1182 - 1226)

Batizado como João, em honra a São João Batista, recebeu em sua família o apelido de Francesco (pequeno francês), por tornar-se fluente na língua quando criança e assim ficou conhecido, como Francisco de Assis.

Radicalidade, dom de si

A escolha verdadeira de São Francisco é radical: não se tratou de escolher entre riqueza e pobreza, nem entre ricos e pobres, entre a pertença a uma classe mais do que a outra, mas de escolher entre si mesmo e Deus, entre salvar a própria vida ou perdê-la pelo Evangelho. Francisco casou-se com Cristo e foi por amor a Ele que se casou, por assim dizer “em segundas núpcias” com a Senhora pobreza.

Caminho da santidade

«O Senhor concedeu a mim, irmão Francisco, que começasse a fazer penitência assim: quando eu estava nos pecados parecia-me muito amargo ver os leprosos: e o próprio Senhor conduziu-me entre eles e fui misericordioso para com eles. E ao afastar-me deles, o que me parecia amargo foi-me trocado por doçura de alma e corpo. E, depois, demorei só um pouco e saí do mundo” » (FF 110).

Fazei penitência (“poenitentiam agere” do latim) significa “convertei-vos” ou “arrependei-vos”. Em tudo Francisco procurava seguir o Evangelho. Ao realizar em si a reforma, Francisco indicou à Igreja o único caminho para sair da crise que vivia: reaproximar-se do evangelho, reaproximar-se dos homens e especialmente dos humildes e dos pobres. Um dos fatores de escuridão do evangelho era a transformação da autoridade compreendida como serviço, em autoridade compreendida como poder que tinha produzido infinitos conflitos dentro e fora da Igreja. Francisco, por sua vez, resolve o problema em senso evangélico. Na sua Ordem, novidade absoluta, os superiores se chamarão ministros, ou seja, servos, e todos os outros frades, ou seja, irmãos.

Alegria

A sua simplicidade, a sua fé, o seu amor por Cristo, a sua bondade por cada homem o fizeram feliz em toda situação. Olhando para ele, compreendemos que é este o segredo da verdadeira felicidade: tornarmo-no santos!” (Bento XVI)

A meta final é poder dizer com Paulo e com Francisco: “Não mais eu que vivo, Cristo vive em mim”. E haverá alegria e paz plenas, já sobre esta terra. Francisco, em sua “perfeita alegria”, é um exemplo vivo da “alegria que vem do Evangelho”!

Humildade

De acordo com Dante Alighieri, toda a glória de Francisco depende do “seu ter-se feito humilde”, ou seja, da sua humildade, reconhecendo a sua pequenez diante da grandiosidade de Deus e fazendo-se pequeno por amor, para “elevar” os outros. Assim foi a humildade de Jesus e que pode ser resumida em uma palavra: serviço.

 

SÃO FILIPE NÉRI (1515- 1595)

"Os homens que deixam seu coração moldar-se pela ação do Espírito Santo são os que verdadeiramente colaboram para renovar a face da terra.”

Na vida de São Filipe Néri essa frase se torna totalmente verdadeira. Permitiu tanto que o Espírito Santo moldasse seu coração que de fato, o coração físico aumentou de tamanho e as costelas que o protegiam foram arqueadas de modo a abrigar o órgão. A forma alterada do seu coração só foi descoberta após sua morte, mas a sua vida nessa terra deixou bem claro o quanto a sua alma era grande e ao mesmo tempo humilde.

O bom humor era a marca registrada desse homem (e muitas vezes podia ser confundida com loucura), mas o que não se comenta muitas vezes era que seu bom humor era uma tática de vida espiritual. Serviu-se do otimismo e do bom humor para combater o orgulho, o apreço que tinha por si. Essa humildade (humilhação) da vontade era para torna-la desprendida de si e capaz de corresponder ao amor de Deus.

Cristo foi desde sempre sua paixão. Estar com Cristo durante o seu dia era uma necessidade. Dizia que “Nada ajuda mais o homem do que a oração” e buscava em todo o tempo momentos para estar com seu Senhor. Enxergava nos Sacramentos os meios eficazes para se achegar a Cristo.

Quando seu tempo era curto para longas orações tinha o costume de condensar a oração em fórmulas breves e jaculatórias. Dizia que “Não se deve querer fazer tudo num só dia, e uma pessoa não se torna santa em quatro dias, mas passo a passo.”

A sua vida de oração era como fluxo incessante e natural, mas essa naturalidade era fruto de um longo e paciente esforço por buscar o trato com Deus.

Dizia-se dele que o rigor de sua vida de oração se adaptava perfeitamente aos tempos modernos. Apesar de viver grandes mortificações, mortificava-se de preferência nos pequenos detalhes concretos. A uma pessoa que queria fazer grandes penitências disse: “Se quereis exceder-vos em alguma coisa: excedei-vos em ser particularmente doce, paciente, humilde e amável.” E foi no exercício dessas virtudes que encontrou a sua via para a santidade.

As conquistas do apostolado de Filipe tinham como segredo a grande bondade e amabilidade de seu coração. Todos queriam estar perto dele e receber o transbordamento de seu amor a Deus. Procurava sempre iniciar uma conversa amigável com as pessoas, falando-lhes com carinho e animando-as a uma boa conduta. Nunca com o dedo que aponta as falhas, mas sempre com vistas a levar os homens a amar mais a Deus. Essa era sua busca: fazer com que as pessoas encontrassem esse Amor, que Filipe bem sabia ser o único que poderia nos dar a felicidade plena. 

Fonte: XIMENES, Guilherme. Filipe Neri: O sorriso de Deus. São Paulo: Quadrante, 1998. 78p.

 

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS (1873 - 1897)

Santa Teresinha nos ensina que santidade vivida pela metade não é santidade, mas conveniência. Ela é testemunho de coragem, pois foi aquela que por natureza própria tinha todos os motivos para fazer as escolhas fáceis, mas foi forte a ponto de escolher a radicalidade, a santidade por inteiro.

 

Amor que impulsiona a servir

"Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto de vários membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha coração, e que o coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem e que, se o amor extinguisse, os Apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os mártires se recusariam a derramar seu sangue. Compreendi que o amor abrange todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os lugares. Numa palavra, é eterno.”

Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração – e o de todos nós – foi feito para amar.

 

Fazer tudo com amor

A Pequena Via, caminho de santidade seguido e proposto por Santa Teresinha é um caminho de simplicidade, que não exige nem êxtases e nem penitências extraordinárias, mas somente a sabedoria de revestir de amor todas as atividades da nossa vida, até mesmo as mais ordinárias.

Qualquer gesto, se feito com amor, tem valor redentor”. Ela dizia ainda que pegar um alfinete no chão, num gesto de amor, tem um grande valor de salvação, é sacrifício santificador, porque Deus pede somente amor. Assim, tudo na vida ganha novo significado, tudo é oportunidade de amar pela fidelidade, tudo é motivo de santidade e o dia-a-dia, nas tarefas mais simples e ordinárias, passam a ser uma oportunidade de encontro com Deus. 

 

Alegria

Ela sempre foi alegre, mesmo em meio a sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, "a noite da Fé". Apesar de todos os sofrimentos, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. Tanta força e alegria vinham da total aceitação da vontade de Deus.

 

Nossos santos baluartes, rogai por nós!